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Kuaray-u: As Comedoras de Sol é uma exploração visual desse encantamento. O título, derivado das palavras tupi-guarani para “sol” e “comer”, homenageia o milagre fundamental das árvores: a capacidade de transformar a luz bruta em vida. Por meio destas fotografias em preto e branco, convido o espectador a olhar além da forma botânica e a ver a árvore como uma consumidora celestial — uma ponte entre a terra e o céu.
Fotografo árvores e florestas desde que peguei uma câmera pela primeira vez, aos oito anos de idade. Elas têm sido um tema recorrente no meu trabalho como artista profissional há mais de trinta anos. Em Portugal, minha jornada neste trabalho se aprofundou quando descobri os montados. Eles não são meramente paisagens agrícolas; são florestas mágicas que vivem silenciosamente ao nosso lado. Na nossa pressa moderna, muitas vezes não as notamos. Passamos séculos despojando nossas vidas de magia e encantamento, relegando o espanto ao reino da infância, como se fosse uma fase a ser superada. Mas não é a nossa infância que nos define?
Ao remover a cor, estas imagens pretendem ir além da mente racional. A fotografia em preto e branco contorna o literal e entra no atmosférico, capturando a textura da casca, a tensão de um galho e o “alimento para o pensamento” que a floresta oferece. Estas fotografias são um convite para reentrar em um mundo onde a magia não é uma fantasia, mas sim uma lente através da qual vemos a realidade.
A vida é melhor em um mundo encantado. Demorei muito tempo para encontrar o caminho de volta para esse lugar, baixar minhas defesas e deixar que as árvores me guiassem. Esta exposição é o registro desse retorno. Se você permitir, as árvores também vão ajudá-lo a encontrar o seu caminho de volta.